LEGENDA Bora Ler: Carrie, a Estranha - Stephen King

A história narra os tormentos sofridos por Carrie White, uma adolescente de 16 anos que frequentemente é perseguida pelos colegas, professores e impedida pela mãe de levar a vida como as garotas de sua idade. Só que Carrie guarda um segredo: quando ela está por perto, objetos voam, portas são trancadas ao sabor do nada, velas se apagam e voltam a iluminar, misteriosamente.
Vale a pena ou a galinha inteira?

Carrie, a Estranha foi o primeiro livro escrito por Stephen King e como tal, visitou a lixeira algumas vezes até o momento que o autor criou coragem e assumiu a obra como um livro publicável, graças ao incentivo da esposa.

A história principal irá ser mesclada com a alternância de eventos acontecendo no passado e com trechos de depoimentos das pessoas que sobreviveram ao baile e estudiosos sobre o assunto referente àquela noite.

O fato que grande parte das pessoas conhecer a história mesmo que não a tenha lido, é pelo mérito do sensacional filme de 1976 dirigido pelo diretor Brian De Palma e que tem em seu elenco Sissy Spacek (que foi indicada ao Oscar pela sua atuação) e John Travolta. A cena clássica do balde de sangue caindo sobre a cabeça de Carrie quando a mesma é eleita rainha do baile é icônica.

Escrevendo sobre um tema que hoje em dia está em voga como o bullying, mas que na década de 70 as pessoas não viam como uma ameaça e sim uma fase, King começa a entrelaçar seus personagens com sua trama de uma forma inteligente e que anos depois seria sua marca registrada. O desenvolvimento dos personagens, de todos eles, é muito bem elaborado, permitindo ao leitor conhecer até a parte psicológica dos mesmos.

O livro não apresenta um vilão especifico. Com os relatos e fragmentos retirados de jornais, revistas, depoimentos, logo de cara, o leitor já percebe que Carrie, foi a responsável pela tragédia que caiu sobre a cidade de Chamberlain na noite do baile e mesmo assim, o autor escreve de uma forma que não permite ao leitor ter raiva ou ressentimentos com a personagem, chegando a tal ponto de entender a garota.

A inocência de Carrie talvez tenha sido o fator determinante para essa simpatia com a moça. Vivendo sob a vigilância da fanática religiosa de Margaret White, mãe da garota, Carrie vive aprisionada psicologicamente e portanto, se torna um alvo fácil para aqueles que desejam atormentá-la. King já nessa época, sabia desenvolver um fanático religioso que mesmo não sendo o vilão (como no caso de Margaret), deixa o leitor com muita raiva e indignação.

Toda a raiva acumulada de Carrie é canalizada e ela percebe que consegue mexer as coisas com sua mente e passa a treinar esse dom (ou maldição, segundo a mãe), até o momento em que perde o controle desse poder e bota o terror.

Como não sou um novato nas obras do King, obviamente haveria de ter comparações com outros escritos do autor. Mesmo que muitos leitores, considerem Carrie como uma obra prima, não tive essa visão ao ler e faço das palavras do autor as minhas: é um livro cru. A grande sacada de Stephen e que permite a dinâmica do livro é a intercalação das entre os depoimentos e a história, se não houvesse isso, acredito que o livro seria mais chatinho.

Mesmo com o ótimo desenvolvimento dos personagens, da trama central e das reportagens, o livro não conseguiu me prender como outros do autor (Sob a Redoma, por exemplo). 

Chega a ser um livro ruim? Claro que não. Longe disso. O motivo do meu desprendimento com o livro, talvez tenha sido o resultado de duas coisas: conhecer a história por terceiros e por ter lido outros livros do autor.

Com um desenvolvimento de personagens e trama que já são marca registrada, Stephen King faz com que Carrie, a Estranha seja uma obra publicável e um ótimo ponto de partida para aqueles que nunca leram King e que mesmo escrito na década de 70, ainda reflete problemas que muitos alunos nas escolas sofrem e que podem gerar tragédias semelhantes aos da obra (não com poderes paranormais é claro, mas com armas de fogo, por exemplo), afinal, o bullying somado com a raiva e o constrangimento é um barril de pólvora perigoso. 


2 comentários:

  1. Olá!
    Confesso que não tenho a mínima vontade de ler esse livro porque assisti ao filme mais recente e achei suuuper sem graça. Mas, apesar de tudo, gostei muito da sua resenha e como não li nada do autor, não posso dizer, talvez o livro seja melhor que o filme.
    Abraço~
    Choque Literário

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    1. Olá Luiza tudo bom?
      Infelizmente eu li Carrie depois de ter lido outras obras do King então logo tem aquelas comparações, mesmo você entendendo que com o tempo a escrita do autor tende a melhorar, porém, Sob a Redoma continua sendo o meu livro preferido dele. Espero que goste de Carrie caso leia, caso não goste, se arrisque a entrar na redoma :)
      Abraços ^^

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