LEGENDA Bora Ver: A Estratégia da Aranha


Athos Magnani Junior, um italiano que teve o pai morto por fascistas, retorna para a cidade natal para desvendar o real motivo da morte do pai, mas para isso terá que revelar suas estratégias e desembaralhar uma complexa teia de mentiras.
Vale a pena ou a galinha inteira? 

E eis que o tão temido dia chegou. Quando iniciei o projeto Entre os 1001 eu sabia que haveriam filmes que meu gosto não iria se adequar e que possivelmente eu não despertaria o interesse em ver. Após algumas surpresas no projeto, temos A Estratégia da Aranha que me proporcionou horas de tortura. 
Baseado no conto O Tema do Traidor e do Herói do incomparável escritor argentino Jorge Luís Borges, Bertolucci irá conduzir A Estratégia da Aranha como um painel onde o presente e o passado irão se alternar para que o público possa (tentar) entender a história.


A cidade de Tara, onde a história é ambientada, venera Athos Magnani (Giulio Brogi) como um herói e em cada canto da cidade temos uma homenagem a ele. Athos Junior ao chegar na cidade se depara com essa situação e já percebemos que ele se sente incomodado com essas homenagens, visto que nunca conheceu o pai. Mais incomodado fica o povo da cidade, uma vez que, Athos Junior é idêntico ao pai. Outra afetada por essa aparência é a amante do pai, Drafta (Alida Valli) que tem surtos de lembranças e ora trata o filho como se estivesse falando com o pai.


Por falar nela, temos uma personagem muito estranha, tão estranha que se fosse convidada para participar da Família Adams eu não iria me espantar. Ela do nada tem uns desmaios que não é explicado no filme e umas conversas aleatórias que eu não acompanhei. Não sei dizer se toda essa má impressão a respeito da personagem é proposital ou não, mas Alida não me convenceu nem um pouco.

A interpretação de Giulio tanto para o Athos pai, quanto para o filho também não foi das melhores. Sabemos que na cena está sendo mostrado o pai pela roupa característica: blusa cor de areia e lenço vermelho no pescoço, caso contrário, essa troca entre presente e passado poderia gerar muita confusão.

Mas pior do que a interpretação dos atores, é a edição do filme que é toda bagunçada. Bagunçada que digo no sentido de por exemplo, Athos está em determinada cena conversando com um personagem e do nada cortar para uma festa onde o pessoal está tocando instrumentos musicais e depois de uns 10 segundos voltar para a conversa anterior ou então, uma mesma cena em que a tela escurece constantemente dando a impressão de que irá trocar de ambiente (recurso muito usado em filmes antigos), porém ela se mantém na mesma, não havendo a troca.


Em outro momento, quando Athos Junior é perseguido pela população da cidade, chega a ser bizarro. Ele consegue escapar de cerca de dez a quinze homens passando entre eles. Mortos-vivos de filmes da década de 80 são mais espertos do que aquela população.

Outra cena que é digna de comédia é a revelação da misteriosa morte do pai de Athos (mesmo o filme sendo ruim na minha opinião, não soltarei spoiler).

Em meio a tantos problemas que não consegui me adaptar, aguentar os 100 minutos foi muito complicado. Tão complicado que nem a justificativa da morte do Athos pai me convenceu. No entanto, A Estratégia da Aranha é considerado o melhor filme de Bertolucci (apesar de eu ter gostado bem mais de The Dreamers (2003)) e conquistou sua posição entre os 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer, mas infelizmente dessa essência onírica e poética que o filme proporciona para tal importância ou não consegui absorver ou passou desapercebido por mim.

PS: O pessoal da página Passa Palavra fez um post muito interessante sobre o filme, englobando aspectos mais profundos entre o conto de Borges que deu origem ao filme e o próprio longa. Vale a galinha inteira conferir a opinião deles ;)

* As imagens retiradas do filme:  Strategia del Ragno, são puramente com o intuito de ilustração e divulgação. Todos os direitos das mesmas são de seus criadores ^^


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